Ao longo da história, diversos criminólogos tentaram responder a uma pergunta: existem diferentes tipos de criminosos? Para responder a essa questão, estudiosos criaram classificações baseadas nas características, motivações e circunstâncias que levam uma pessoa a cometer um delito.
É importante destacar que a criminologia moderna não aceita mais muitas dessas classificações como verdades científicas, mas elas continuam sendo muito cobradas em concursos, universidades e cursos de Direito por sua relevância histórica.
1. Classificação de Enrico Ferri
Ferri foi o primeiro autor a criar uma classificação ampla dos criminosos.
Criminoso Nato
Seria a pessoa que, segundo as ideias da época, já nasceria com tendência para o crime.
Exemplo utilizado pelos positivistas
Indivíduo que desde criança apresenta comportamentos extremamente agressivos e envolvimento constante com delitos.
Visão atual
A ciência atual rejeita a ideia de que alguém nasce criminoso.
Criminoso Louco
É quem pratica um crime em razão de uma doença mental grave.
Exemplo atual
Pessoa em surto psicótico que agride alguém acreditando estar se defendendo de uma ameaça imaginária.
Criminoso Habitual
É o indivíduo que faz do crime um modo de vida.
Exemplo atual
Integrante de facção criminosa que há anos vive do tráfico de drogas, roubos ou extorsões.
Característica principal
Costuma reincidir diversas vezes.
Criminoso Ocasional
Comete um crime em circunstância excepcional.
Exemplo atual
Funcionário sem antecedentes que desvia dinheiro da empresa para pagar uma dívida urgente.
Característica principal
Normalmente não volta a delinquir.
Criminoso Passional
Age movido por emoção intensa.
Exemplo atual
Pessoa que agride outra durante uma discussão familiar extremamente acalorada.
Característica principal
Não costuma planejar o delito.
2. Classificação de Cândido Motta
O brasileiro Cândido Motta simplificou os estudos criminológicos e criou uma classificação muito utilizada no Brasil.
Delinquente Ocasional
Comete crime por oportunidade ou circunstância específica.
Exemplo
Pessoa que encontra um celular perdido e decide ficar com ele.
Delinquente Habitual
Transforma o crime em rotina.
Exemplo
Golpistas que diariamente aplicam estelionatos pela internet.
Delinquente Impetuoso
Age por impulso.
Exemplo
Motorista que agride outro após uma briga de trânsito.
Característica
A decisão criminosa acontece em segundos.
Delinquente Fronteiriço
Situa-se entre a normalidade e determinados transtornos psicológicos.
Exemplo moderno
Pessoas com transtornos graves de personalidade que mantêm consciência dos atos, mas possuem grande dificuldade de controle comportamental.
Louco Criminoso
Sofre de doença mental severa.
Exemplo
Paciente em surto delirante que agride terceiros sem compreender a realidade.
3. Classificação de Hilário Veiga de Carvalho
Hilário procurou explicar o crime considerando dois grupos de fatores:
BIO
Fatores internos:
- personalidade;
- emoções;
- saúde mental;
- características psicológicas.
MESO
Fatores externos:
- família;
- pobreza;
- educação;
- influência de amigos;
- ambiente social.
Biocriminoso Puro
O crime seria explicado principalmente por problemas internos do indivíduo.
Exemplo
Pessoa que pratica violência durante um grave surto psiquiátrico.
Mesocriminoso Puro
O crime seria explicado principalmente pelo ambiente social.
Exemplo
Jovem recrutado por organização criminosa desde a infância em uma região dominada pelo tráfico.
Biocriminoso Preponderante
Os fatores internos predominam, embora haja influência do ambiente.
Exemplo
Pessoa extremamente impulsiva e agressiva que frequentemente se envolve em conflitos violentos.
Mesocriminoso Preponderante
Os fatores sociais predominam.
Exemplo
Adolescente que começa a furtar após ingressar em um grupo de amigos envolvidos em atividades criminosas.
Biomesocriminoso
O crime resulta da combinação de fatores internos e externos.
Exemplo
Pessoa com histórico de traumas familiares, problemas emocionais e convivência em ambiente violento.
Observação
Essa é a categoria que mais se aproxima da visão criminológica atual.
4. Classificação de José Ingenieros
Ingenieros focava na mente do criminoso.
Ele entendia que os delitos poderiam decorrer de problemas relacionados a três áreas:
A) Anomalias Morais
Problemas ligados aos valores éticos.
Exemplo
Indivíduo que não sente culpa ao causar prejuízo aos outros.
B) Anomalias Intelectuais
Problemas relacionados à inteligência ou compreensão.
Exemplo
Pessoa que pratica um ato durante um grave transtorno mental.
C) Anomalias Volitivas
Problemas relacionados ao controle da vontade e dos impulsos.
Exemplo
Pessoa que age impulsivamente sem conseguir controlar o comportamento.
5. Classificação de Raffaele Garófalo
Garófalo buscava identificar qual sentimento moral faltava ao infrator.
Criminosos Violentos
Cometem crimes contra a vida ou a integridade física.
Exemplos
- Homicídio;
- Latrocínio;
- Lesão corporal grave.
Criminosos Deficientes em Probidade
Praticam crimes patrimoniais ou fraudes.
Exemplos atuais
- Golpes do PIX;
- Fraudes bancárias;
- Estelionatos eletrônicos;
- Pirâmides financeiras.
Criminosos Lascivos
Praticam crimes de natureza sexual.
Exemplos
- Estupro;
- Assédio sexual;
- Importunação sexual.
Esquema para Concursos
ENRICO FERRI
✅ Nato
✅ Louco
✅ Habitual
✅ Ocasional
✅ Passional
CÂNDIDO MOTTA
✅ Ocasional
✅ Habitual
✅ Impetuoso
✅ Fronteiriço
✅ Louco Criminoso
HILÁRIO VEIGA DE CARVALHO
✅ Biocriminoso puro
✅ Mesocriminoso puro
✅ Biocriminoso preponderante
✅ Mesocriminoso preponderante
✅ Biomesocriminoso
JOSÉ INGENIEROS
✅ Anomalias morais
✅ Anomalias intelectuais
✅ Anomalias volitivas
✅ Tipos combinados
RAFFAELE GARÓFALO
✅ Criminosos violentos
✅ Deficientes em probidade
✅ Criminosos lascivos
Dica para o Estudante
Atualmente, a criminologia entende que não existe uma única causa para o crime. O comportamento criminoso geralmente surge da combinação de fatores familiares, econômicos, psicológicos, sociais e culturais. Por isso, essas classificações são estudadas principalmente para compreender a evolução histórica da Criminologia e as diferentes formas que os pesquisadores utilizaram para tentar explicar o fenômeno criminal.
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